ANGOLA

Geografia

 A República de Angola, na África sub-Sahariana, é o quinto país de maior dimensão mundial, com uma área de cerca de 1.246.700 quilómetros quadrados e com uma costa marítima atlântica de cerca de 1650 quilómetros. A sua fronteira terrestre é de 4837 km.

Angola situa-se na costa do Atlântico Sul da África Ocidental, entre a Namíbia e o Congo. Também faz fronteira com a República Democrática do Congo e a Zâmbia, a oriente.

O país está dividido entre uma faixa costeira árida, que se estende desde a Namíbia até Luanda, um planalto interior húmido, uma savana seca no interior sul e sueste, e floresta tropical no norte e em Cabinda. O rio Zambeze e vários afluentes do rio Congo têm as suas nascentes em Angola.
A faixa costeira é temperada pela corrente fria de Benguela, o que tem como resultado um clima semelhante ao da costa do Peru ou da Baixa Califórnia.

Existe uma estação das chuvas curta, que vai de Fevereiro a Abril. O Verão é quente e seco e o Inverno é temperado.
As terras altas do interior têm um clima suave com uma estação de chuvas de Novembro a Abril, seguida por uma estação seca, mais fria, de Maio a Outubro. As altitudes variam, em geral, entre os 1000 e os 2000 metros. As regiões do Norte e Cabinda têm chuvas ao longo de quase todo o ano.

Etnias

Manter e reforçar os laços culturais da Mãe Pátria com os seus filhos. Combater o desenraizamento e estabelecer uma ponte indestrutível entre o país e a sua comunidade faz parte do futuro de Angola.

Angola encontra-se no cruzamento de duas importantes civilizações do Sul de África: a dos caçadores e agricultores das grandes savanas da África Central e a dos criadores de gado bovino que se estende dos grandes lagos às zonas tropicais secas e semidesérticas da África Austral.

Os povos que hoje habitam o território nacional formaram-se a partir de migrações em diferentes épocas, mas não foi só as migrações que levaram à adopção de línguas e instituições de uns por outros.
A influência do comércio atlântico (tráfico de escravos), da colonização e do Cristianismo, mais cedo ou mais tarde, conforme os casos, provocaram adaptações e mudanças, mas muitos aspectos culturais continuam até hoje presentes na prática social.

A maior parte da população é descendente dos povos Bantu que não constituem uma raça específica, mas um conjunto de grupos que representam uma comunidade cultural, com uma civilização comum e uma linguagem similar assente nas mesmas raízes.

Do ponto de vista etnolinguístico o povo angolano é maioritariamente Ambundu (Língua Kimbundu), Ovimbundu (Língua Umbundu) e Bakongo (Língua Kikongo). Todos estes são grupos Bantu, apesar de haver os ‘não Bantu’ como os Kung e os Angolanos de origem europeia. É um subgrupo do negro africano. Identificam-se basicamente pela afinidade linguística. Um exemplo disso é o radical “ntu”, que designa “pessoas”, usado por todos. À parte deste grupo principal, encontram-se ainda os bosquimanes, mestiços e brancos.

O idioma utilizado é o português e mais de 42 Línguas, sendo os principais o Umbundo, o Kimbundo e o Kicongo. Consideráveis faixas urbanas da população, localizadas essencialmente no litoral e com menos de 40 anos, consideram o português como a sua língua materna.

Os grupos étnicos mais importantes são os Ovimbundos, Kimbundos e Bacongos que representam 75% da população.

Economia

Angola é um dos segredos mais bem guardados de África


O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional declararam recentemente que a economia angolana cresceu 14% em 2005 e estimam um crescimento de 25% para o ano de 2006. “Isto torna Angola numa das economias com o crescimento mais rápido do planeta.

Apesar de muito desse crescimento derivar da indústria petrolífera, não há dúvidas que múltiplos sectores da economia angolana estão também a ter um crescimento espantoso, incluindo a construção civil, portos, bancos, serviços, comunicações, distribuição, retalho, hospitalidade, tecnologia de informação, serviços de petróleo, agricultura e exploração mineira de diamantes. Angola está também a desenvolver a indústria do turismo.

No sector petrolífero, por exemplo, o volume de produção é de 1,2 milhões de barris por dia, devendo aumentar para 2 milhões de barris por dia em 2007/2008. O sucesso contínuo de Angola na identificação e produção de hidrocarbonetos foi evidente no 18º Congresso Mundial de Petróleo, realizado recentemente em Joanesburgo. Angola foi um dos principais patrocinadores e organizadores.

Na indústria diamantífera, 15 novas concessões de exploração foram recentemente anunciadas pela Endiama, empresa nacional de diamantes. A maior fábrica de lapidação de diamantes foi inaugurada este mês de Novembro em Luanda, capital de Angola. A fábrica tem capacidade para gerar anualmente 240 milhões de dólares na lapidação de diamantes.

A imagem de Luanda está a mudar de forma radical. Muitos edifícios novos estão a ser construídos, principalmente no centro de comércio de Luanda, onde as empresas do sector petrolífero e financeiro estão a instalar os escritórios. Muitos hotéis novos, de duas a cinco estrelas, estão também a ser construídos, assim como um centro de conferências internacional que deve ser concluído no próximo ano de 2006.

No sul de Luanda (Luanda Sul), vastos terrenos que até recentemente eram zonas sem qualquer desenvolvimento têm sido utilizados no desenvolvimento de propriedades, principalmente em projectos de casas de habitação, centros comerciais e desenvolvimentos industriais.

Luanda Sul representa uma das áreas com o crescimento urbano mais rápido de África. Só é possível compreender a magnitude deste desenvolvimento vendo-o de avião. A reabilitação aguardada das estradas e dos caminhos-de-ferro do país começou a sério agora, em grande parte como consequência do empréstimo de 2 biliões de dólares do governo chinês. Os chineses e os negócios chineses estão a tornar-se cada vez mais visíveis em Angola.

O importante para estes projectos é a reabilitação da rede ferroviária de Benguela e as suas 48 pontes que eram utilizadas para exportar minerais da República Democrática do Congo nos anos 70. Angola está a atrair um maior investimento estrangeiro nos sectores do petróleo e dos diamantes, afirma a KPMG. A Agência Nacional de Investimento Angolano afirmou recentemente que foram aprovadas 123 propostas novas de investimento avaliadas em USD 180 milhões para o primeiro semestre de 2006.

A maioria dos investimentos é de Portugal, África do Sul e China. No último ano foram aprovados cerca de 200 projectos. Nos últimos dois anos, a rede de bancos comerciais em Angola tem crescido de forma significativa, particularmente com a abertura do Novo Banco e do Banco Internacional de Crédito, a aquisição de acções do BCA pelo banco sul-africano Absa e o Millennium Angola.
“Muitas outras instituições financeiras internacionais estão a preparar-se para entrar no mercado angolano
Várias empresas angolanas estão a preparar-se para serem incluídas nas bolsas de valores internacionais, como por exemplo Joanesburgo, Vancouver e Londres. Os planos para criar uma bolsa de valores em Luanda já estão em fase avançada.

No sector social, a maior ênfase é a reintegração de soldados desmobilizados das Forças Armadas Angolanas e do grupo rebelde Unita.

O Instituto Angolano de Reintegração Social dos ex-Militares (Irsm) já implementou projectos que beneficiaram directamente 40.000 ex-soldados e esperam duplicar o número de beneficiários até ao fim do ano.

Contrariamente à imagem que persiste a nível internacional, a guerra em Angola acabou há três anos e todas as pessoas estão tão ocupadas em ‘dividir’ os benefícios da paz que nem pensam na guerra.


Já começou a construção de um novo aeroporto internacional em Luanda e está a ser planeada uma nova estrada à volta da cidade. “Angola está no caminho certo para se transformar num dos mais significativos motores económicos do continente africano,

Dados demográficos de Angola


De acordo com estimativas disponíveis de Julho de 2005, há a indicação de que a população angolana é de 11,190,786 indivíduos. Dados de Julho de 2005.


A população é maioritariamente jovem, visto que os indivíduos até aos 14 anos de idade correspondem em média a 43.4% (2,454,209 sexo masculino / 2,407,083 sexo feminino) da população total. A população activa dos 15 aos 64 anos situa-se nos 53.7% (3,059,339 sexo masculino / 2,955,060 sexo feminino) da população total.

A esperança de vida dos Angolanos está em média nos 38,43 anos, sendo 37.28 anos para o sexo masculino e 39.64 anos para o feminino.

A província mais populosa é a de Luanda como resultado do processo de deslocação das populações, que surgiu a seguir à independência nacional, do Huambo, do Bié, de Malange e do Uíge.
Existe uma tendência para que as províncias do interior percam população, enquanto as de Luanda e Benguela aumentam a população.

População: 11,190,786 (Estimativa de Julho 2005)

Crescimento Populacional: 1.9% (estimativa de 2005)

Estrutura de Idades:

0-14 anos - 43.4% (2,454,209 sexo masculino / 2,407,083 sexo feminino)

15-64 anos - 53.7% (3,059,339 sexo masculino / 2,955,060 sexo feminino)

Mais de 65 anos: 2.8% (139,961 sexo masculino / 175,134 sexo feminino) (Estimativa de 2005)

Média de Idades:

Total: 18.12 anos

Sexo Masculino: 18.12 anos

Sexo Feminino: 18.11 anos (Estimativa de 2005)

Taxa de Natalidade: 44.64 nascimentos/1,000 habitantes (estimativa de 2005)

Taxa de Mortalidade: 25.9 mortes/1,000 habitantes (estimativa de 2005)

Taxa de Mortalidade Infantil:

Total: 191.19 mortes/1,000 nascimentos

Sexo masculino: 203.68 mortes/1,000 nascimentos

Sexo Feminino: 178.07 mortes/1,000 nascimentos (estimativa de 2005)

Esperança de Vida:

População Total: 38.43 anos

Sexo masculino: 37.28 anos

Sexo feminino: 39.64 anos (Estimativa de 2005)

Taxa de fertilidade: 6.27 crianças por mulher (Estimativa de 2005)

Historia

 Na luta contra a ocupação portuguesa em Angola começa uma incursão pela Independência, uma luta pela liberdade e pela auto-suficiência.

1954 – Fundação do PLUA - Partido da Luta dos Africanos de Angola.

1956 – Do PLUA emergiu o MPLA - Movimento Popular de Libertação de Angola, sob a presidência de Agostinho Neto.

1956 – Um manifesto do MPLA circula pelas ruas de Luanda a denunciar a opressão colonialista.

1958 – O MIA - Movimento de Independência de Angola - une forças com o MPLA.

1975 – 11 Novembro - O Presidente Agostinho Neto proclama em Luanda a independência de Angola.

1976 – 27 Março – Retirada das tropas sul-africanas que, a partir da Namíbia, haviam lançado em Outubro, a “Operação Savannah”, contra o território angolano.

1977 – 27 Maio – Tentativa frustrada de um Golpe de Estado, conduzido por Nilo Alves e outros dissidentes do MPLA

1979 – 10 Setembro – Morre em Moscovo, vítima de doença, o Dr. Agostinho Neto, primeiro Presidente de Angola. José Eduardo dos Santos é proclamado o novo Presidente da República no dia 21 de Setembro.

1981 – Agosto – Quinze mil soldados sul-africanos, apoiados por blindados e aviação de combate, invadem Angola, bombardeando a província da Huíla e ocupando parte da província do Cunene, na operação designada por “Prothea”.

1983 – Setembro – As Forças Armadas angolanas desencadeiam a “Operação Berlim” para impedir a abertura da intitulada “segunda fase estratégica” da UNITA, na região do Mussende no Kwanza-Sul.

1984 – 25 Março – A UNITA ataca a cidade do Sumbe, capital do Kwanza-Sul.

17 Novembro – O Presidente angolano apresenta uma “Plataforma da Paz” numa carta dirigida a Javier Perez de Cuellar, secretário-geral da ONU, onde requer a retirada imediata e incondicional das forças sul-africanas e a cessação das agressões contra Angola, e a cessação de todo o apoio à UNITA a partir do exterior.

1986 – Janeiro – O Líder da UNITA, Jonas Savimbi, é recebido na Casa Branca pelo Presidente Ronald Regan.

1987 – Setembro – Tropas sul-africanas invadem o sudoeste angolano para contrariar a ofensiva governamental contra a UNITA.

1988 – Janeiro – Forças sul-africanas atacam as posições angolano-cubanas a Leste do Kuíto Cuanavale, no Kuando-Kubango, com tanques, carros blindados e aviões de combate.

11 de Maio – Realização da Primeira Reunião Quadripartida entre delegações de Angola, Cuba, África do Sul e EUA em Londres, com vista à resolução do Processo de Paz em Angola e da independência da Namíbia.

Julho – Em Nova Iorque e Genebra realizam-se a 4ª e 5ª Reunião Quadripartida, onde se alcança um acordo sobre um conjunto de princípios e anuncia-se um cessar-fogo provisório.

1989 – 22 Junho – Um Plano de Paz é estabelecido entre o Presidente angolano e o líder da UNITA em Gbadolite, no Zaire. Cinco dias depois o Governo denuncia a violação, por parte da UNITA, do acordo de cessar-fogo e Jonas Savimbi desmente ter aceite o seu afastamento da cena política.

1990 – Face à falha do acordo de Gbadolite, Angola prescinde da mediação zairense e opta pela portuguesa. Várias reuniões realizam-se em Portugal entre delegações do Governo e da UNITA, sem quaisquer resultados. Portugal defende a participação futura de observadores norte-americanos e soviéticos.

1991 – 31 Maio – É assinado em Bicesse, Portugal, um Acordo de Paz entre o Presidente angolano e o Líder da UNITA, que prevê o cessar-fogo e normas de convivência entre as partes, nomeadamente a constituição de um exército único e a marcação de eleições multipartidárias. As Nações Unidas, através da UNAVEM-II, fiscalizarão o cumprimento do cessar-fogo no país.

1992 – 29/30 Setembro – Primeiras eleições gerais multipartidárias, presidenciais e legislativas, na História do País. O Presidente José Eduardo dos Santos vence a primeira volta das presidenciais com 49,57% dos votos e o MPLA obtém a maioria absoluta nas legislativas com 53,74% dos votos.

1993 – 7 Março – A UNITA ocupa militarmente o Huambo, a segunda cidade do país. Cinco dias depois, o Conselho de Segurança da ONU aprova mais uma resolução que condena “as persistentes violações pela UNITA das principais provisões do Acordo de Paz”, por se ter retirado das novas Forças Armadas e não ter participado nas instituições políticas saídas das eleições.

1994 – Novembro – As Forças Armadas Angolanas (FAA) retomam as cidades do Huambo e Uíge. No dia 20, o Governo e a UNITA assinam formalmente o Protocolo de Lusaka, que assinala “supostamente” o fim das hostilidades no País.

1995 – 9 Dezembro – Em Washington, o Presidente de Angola reitera o seu total empenho no processo de reconciliação nacional e no programa de reformas económicas do Governo.

1996 – Setembro – O III Congresso da UNITA rejeita a indicação de Savimbi para ser um dos vice-presidentes. O MPLA recomenda ao Governo que declare a caducidade da cláusula do Protocolo de Lusaka que conferia ao líder da UNITA um “estatuto especial”.

1998 – 9 Dezembro – A UNITA anuncia que está a organizar as suas forças para reatar a guerra. Dias depois, forças militares cercam as cidades do Huambo e Kuíto. O Conselho de Segurança da ONU deplora a “grave deterioração da situação em Angola” e atribui a responsabilidade a Jonas Savimbi.

1999 – Janeiro – A UNITA inicia um ataque à cidade de Malanje. O Secretário-Geral da ONU propõe em Washington o fim das operações da ONU em Angola. Agosto – O Presidente Angolano anuncia em Maputo que o seu Governo não voltará a negociar com Jonas Savimbi.

2000 – Fevereiro – O Presidente de Angola denuncia que a UNITA, derrotada na guerra convencional, procura agora bases de apoio no interior e no exterior para passar à guerra de guerrilha.

2000 – 11 Novembro – Numa mensagem à Nação, por ocasião do 25º Aniversário da Independência nacional, o Presidente José Eduardo dos Santos anunciou uma larga amnistia para todos os que abandonem a guerra e optem pela Democracia, para iniciar os preparativos das próximas eleições presidenciais e legislativas. Garantiu que o Governo continua empenhado em vencer a crise económica e social e sublinhou que para os Angolanos “ o futuro começa agora”.

2002 – Jonas Savimbi é assassinado em Fevereiro de 2002. É assinado um Acordo de Paz entre a UNITA e o Governo de Angola.

Etnias de Angola:
Bakongo (Quiconcos)
Ambundu (Quimbundos)
Ovimbundu (Umbundos)
Nyanyeka (Lunhanecas)
Herero (Xihereros)
Ambo (Xicuanhamas)
Tchindonga ((Xindongas)
Koisan
Ngangela (Ganguelas)
Tchokwe-Lunda (Quiocos)

 

mapa Geografico de Angola